[Review] O Preço da Desonra - Hiroshi Hirata



A vida é aquele bem mais importante que todo ser humano carrega consigo. Um bem que simplesmente não tem preço. Ou, pelo menos, não deveria ter. Porém, no Japão antigo, a vida de um samurai passou a ter preço e, na maioria das vezes, exorbitantes. 

No campo de batalha, prestes a morrer, um samurai podia pedir por sua vida, contanto que assinasse uma promissória em que se comprometia a pagar o preço de sua vida, com a marca de sua mão com sangue, em um papel que, no futuro, próximo ou distante, lhe seria cobrado. 

Hiroshi Hirata, autor mestre em jidaigeki  - gênero que lida com dramas históricos no Japão - nos traz várias algumas histórias dessas cobranças de promissórias, através do personagem central que é o cobrador dessas dívidas, o Tomador de Promissórias. 

tais histórias contém em si mesma pequenas ou grandes tragédias, porém, são sempre uma tragédia, já que começou com alguém barganhando vergonhosamente por sua vida, naquele momento em que deveria ter morrido como um gurreiro. Hirata não poupa o leitor. são quase 400 páginas de vidas sendo cobradas, em dinheiro ou em almas, já que, se não pagar, o Tomador de Promissórias tem que tirar a vida do devedor. 

Na história que abre  esta edição, temos a história de uma cobrança de dívida que vai dando errado logo desde o começo, quando o amigo do devedor passa a tentar intervir por ele, e dizer que tal pessoas não é a que o Tomador de Promissórias está procurando, colocando até mesmo sua própria vida em jogo.

Em uma história seguinte, um pai criou seu filho, que se tornou um homem honrado e orgulhoso e o amor de pai e filho é incondicional, até que  uma dívida de sangue vem ser cobrada. Em outra, uma família inteira está em perigo por conta do atraso na tentativa de barganha de uma promissória de vida. 

Em outra cobrança, 11 bandidos são os vigias daquele a quem seria cobrado a dívida. Já velho e prisioneiro, uma história por trás daquela dívida vai impactar a vida daqueles que o guardam. Uma outra promissória é cobrada, mas será preciso uma engenhosa artimanha do Tomador de Promissórias para recebê-la e fazer com que algumas viúvas de samurais recebema o que lhes é devido. 

Por fim, uma divida de sangue aparece com duas promissórias sendo cobradas por duas pessoas diferentes, entre elas o próprio Tomador de Promissórias que, intrigado com a coincidência, decide que só cobrará depois que tal imbroglio for resolvido. 

Histórias pungentes, com imagens fortes, que Hirata não se intimida em nos mostrar em toda a sua tragédia, como uma boa história de samurai deve ser, mesmo que mostre um lado obscuro deles ao qual não estamos acostumados a ver. 



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